Senti falta do universo Harry Potter, em verdadeiro espírito de o-terceiro-filme-dos-Monstros-Fantásticos-está-quase-aí, e resolvi ler este livro, cuja história ainda não conhecia.

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada está escrito no formato de peça de teatro, já que existe de facto a peça de teatro homónima, tendo surgido nos palcos pela primeira vez em Julho de 2016. Isto faz com que a sua leitura seja extremamente fácil e rápida.
Esta história gira em torno do filho de Harry Potter, aquele que conhecemos no epílogo dos famosos livros e filmes: Albus Severus Potter, uma criança que se sente diferente das outras, deslocado do mundo que o rodeia e mesmo dentro da própria família, mostrando-nos o peso que pode ter numa criança o facto de esta ser filha d'O Rapaz que Sobreviveu. Em certo momento da história, Albus toma uma decisão que vai mudar todo o passado, o presente e o futuro, de formas drásticas. É assim que acompanhamos a sua aventura de navegar num novo mundo, em novos cenários e situações, tentando fazer o que acha melhor em cada momento.
O que dizer deste livro? Acho que é uma obra completamente diferente daquilo a que estamos habituados neste universo, pelo que não acho que seja favorável avançar para esta leitura com uma expectativa de encontrar algo semelhante ao que já foi lido e/ou visto. Não olho para este livro como descrevendo um mundo totalmente mágico - aquele a que já estamos habituados -, é um livro mais maduro que se propõe mais a mostrar o lado humano - conflitos, emoções, relacionamentos - do que propriamente o lado mágico. O formato também ajuda a isso, já que não existe nenhum narrador, existe apenas o diálogo entre personagens e as breves descrições de cenários, emoções ou acções.
Não sei bem do que estava à espera; gostei da história mas em certo modo ficou aquém das expectativas. Acho que a minha leitura acabou por ser influenciada pelo facto de ter crescido com o Harry, o Ron e a Hermione, e não com os seus filhos. Foi giro ler sobre eles mas não consegui criar grande ligação com essas personagens. Ao início achava o Albus um pouco irritante, até... Saí desta leitura sem criar grande afinidade com as personagens mais novas (até gostei do Scorpius, mas no fim do dia também pouco me diz).
Achei que talvez tenha também começado a ser um pouco repetitivo. Afinal a fórmula geral dos acontecimentos-chave foi sempre a mesma... E aconteceu uma, e outra, e outra vez. Apesar de ter dado resultado a um contraste particularmente interessante. Não sei também se gostei assim tanto dos novos dados que trouxeram a este universo, nomeadamente no que toca ao fruto daquele "relacionamento" (quem já leu vai perceber certamente do que falo). Achei que veio meio do nada, meio sem explicações... meio só porque precisavam de algo que parecesse interessante para contar na história.
Apesar de tudo isto, bom, é Harry Potter e tudo o que é Harry Potter eu vou gostar. Agora queria muito, muito poder ver esta peça ao vivo! Porque é que temos de viver encostadinhos a este canto à beira-mar plantado? ![]()

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