Sobre este blog

Infelizmente, ao importar o conteúdo do Sapo para o Blogger, deparei-me com um problema relacionado com o tamanho das imagens. E por mais que tente ajustar esse tamanho, elas ficam esticadas. Resumindo e concluindo, a única forma de o resolver seria apagar as imagens e voltar a colocá-las, em cada publicação. Ora, fazer isto em mais de 200 posts seria obra.

Por isso, a solução que arranjei foi criar este blog-arquivo para os posts antigos, pré-mudança para o Blogger. Ainda que estejam com este problema das imagens visível, pelo menos todas as publicações se encontram aqui. Bem-vindos!

março 17, 2022

LIVROS: A Abadia de Northanger, Jane Austen

Uma releitura originada pela decisão de encomendar, ou não, este livro da colecção da RBA. Não fosse este acaso a fazer-me voltar a lê-lo e eu nunca teria percebido a diferença que dez anos podem fazer na leitura de um livro.


 


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É verdade, passaram dez anos desde que li esta obra pela primeira vez. E nunca, em momento algum, me passou pela cabeça, na altura, que este livro era uma sátira. Podemos imaginar, portanto, que a experiência de o ler desviou-se completamente da questão central do livro.


 


A Abadia de Northanger apresenta-nos Catherine Morland, uma rapariga ingénua e inocente que vai passar alguns tempos fora de casa e da sua cidade natal: primeiro, em Bath, acompanhada pela família Allen, amigos da sua família; e depois, na abadia de Northanger. Quando chega a Bath conhece duas famílias muito distintas à sua maneira: a família Thorpe e a família Tilney. Da primeira nasce uma amizade com uma das filhas, Isabella; e da segunda um apreço por Eleanor, filha, e um amor por Henry, um dos filhos.


 


Este livro apresenta-se como uma sátira aos romances góticos nos mais variados aspectos: Catherine é uma rapariga que parece desconhecer o modo de funcionamento geral do mundo real, sentindo-se uma heroína semelhante às dos romances que lê, vendo o mundo à sua volta tendo por base esses livros e personagens. Pode dizer-se que vive com a cabeça enfiada nos livros, de tal forma que transparece tudo isso para a sua realidade. É, por isso, fácil apercebermo-nos da sua inocência e ingenuidade, a tal ponto que nada do que lhe acontece vem exactamente como uma surpresa para nós, leitores.


 


A Abadia de Northanger apresenta-nos personagens, na sua maioria, ocas e superficiais, algumas até fúteis: os filhos Thorpe são pessoas intragáveis, muito embora Catherine olhe para a sua amizade com Isabella como muito importante e especial; a senhora Allen passa a vida a falar das suas roupas e a julgar as dos outros; pelo menos duas personagens agem por interesse, mesquinho e materialista, respectivamente. E enquanto nós, leitores, estamos cientes da verdadeira realidade (passo a expressão) de tudo o que se passa, Catherine desculpa tudo tanto com base na sua inocência, como com base nos romances que lê e em como deve ser suposto acontecer assim, e conhecer pessoas assado. Este livro também goza muito com os mistérios e cenários obscuros característicos de romances góticos, sobretudo quando Catherine vai para a abadia.


 


Pelo meio, Jane Austen vai fazendo algumas intervenções, enquanto autora, para gozar ainda mais com certos aspectos deste tipo de literatura. É um livro que, chegando ao fim, nos faz perceber que foi divertido de ler, mas eu pessoalmente sinto que poderia ter sido ainda mais. Se Jane Austen queria satirizar estas obras, cenários e personagens, então deveria tê-lo feito a 150%; sinto que foi uma sátira muito controlada, às vezes tive de me lembrar a mim própria que estava a ler uma sátira. Acho também que a construção das personagens falhou em certos momentos, apesar do elemento irónico da obra não consegui, em certos momentos, não encarar as personagens como simplesmente irritantes, ignorantes e/ou aborrecidas.


 


Outro aspecto que tenho a apontar prende-se com o título do livro, a Catherine só chega à abadia muito depois de já metade do livro! Não conheço romances góticos o suficiente para perceber se isto foi ou não intencional, pode ter sido mais um elemento de sátira da obra. É que lembrou-me muito Jane Eyre em como se estendeu tanto a contar todos os detalhes da história da personagem.


 


Apesar de tudo isto, foi uma leitura prazerosa, acho que surpreendeu no final (tendo em conta que já não me lembrava de nada), e acho que conseguiu com que Catherine acordasse um bocadinho para a realidade (mas só um bocadinho). Gostei, vale a pena a leitura e não sei como raio interpretei este livro há dez anos se não sabia sequer que era uma sátira.


 


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Alguém já leu por aqui? Partilham da minha opinião de que podia ter sido ainda mais exagerado?

4 comentários:

  1. Acho que este é universalmente o livro menos adorado da Jane Austen. Ainda não li este nem Mansfield Park, mas quero coleccionar todas as suas obras :)

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  2. Também não li Mansfield Park, mas até gostei deste! Podia ter sido melhor? Podia, mas também podia ter sido bem pior. :)

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  3. Nunca li esta obra de Jane Austen, na verdade, ainda só li Orgulho e Preconceito, que gostei muito! 
    Tenho na minha lista mais alguns mas este não fazia parte, vou pesquisar mais um pouco e ponderar. Até porque agora tenho ainda dois romances de época para ler e sinto que tenho de intercalar com alguma coisa mais contemporânea!

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  4. Eu, vergonhosamente, nunca li o Orgulho e Preconceito (ainda!) 
    Entendo perfeitamente, li este logo a seguir ao Jane Eyre e já estava a precisar de algo mais actual para "desanuviar"!

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