Recebi hoje uma chamada com a minha primeira proposta de sempre para uma candidatura que tinha feito na área profissional que quero. Boas notícias, certo? Não, errado: foi uma óptima forma de relembrar o quão merdoso está o mercado de trabalho em Portugal.
Candidatei-me a esta vaga para um estágio profissional numa empresa sediada numa cidade a 1h de carro daqui. Na minha cidade aparece muito pouco e alarguei os horizontes, meti na cabeça que mais vale ir e vir uma hora de carro todos os dias (não tenciono ir viver para lá).
Esperava então que fosse ser o típico e normal estágio profissional apoiado pelo IEFP, mas na realidade a proposta foi esta: os 3 primeiros meses seria não remunerado, a ganhar apenas o subsídio de refeição. Poderia haver continuidade após esses 3 meses, mas isso não anula o facto de que eu iria ganhar menos do que iria gastar em combustível e também o facto de isto provavelmente nem ser legal. (E também não anula o facto de talvez me mandarem embora depois desses 3 meses).
Fiquei tão parva com o que tinha acabado de ouvir que nem soube bem como reagir, pelo que disse que ia ponderar, mas obviamente não vou aceitar. É pagar do meu bolso para trabalhar, basicamente. Até consideraria se residisse naquela cidade, embora ache que são condições de merda até para quem vive lá; mas não resido e isto parece-me exploração.
A primeira vez que recebo o mínimo de uma resposta do outro lado para trabalhar naquilo que quero e é isto que acontece. Suspeito que isto não seja um caso assim tão anormal, no entanto. É triste.
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