Sobre este blog

Infelizmente, ao importar o conteúdo do Sapo para o Blogger, deparei-me com um problema relacionado com o tamanho das imagens. E por mais que tente ajustar esse tamanho, elas ficam esticadas. Resumindo e concluindo, a única forma de o resolver seria apagar as imagens e voltar a colocá-las, em cada publicação. Ora, fazer isto em mais de 200 posts seria obra.

Por isso, a solução que arranjei foi criar este blog-arquivo para os posts antigos, pré-mudança para o Blogger. Ainda que estejam com este problema das imagens visível, pelo menos todas as publicações se encontram aqui. Bem-vindos!

outubro 27, 2025

Livros | Dracula, Bram Stoker

Para o Halloween, aproveitei para ler um clássico que estava a faltar na minha lista. E não é que acabei a gostar muito mais deste livro do que estava à espera?


 


IMG_20251026_105718.jpg


 


O livro apresenta-nos inicialmente ao Conde Drácula, mas não é sobre ele; começa com o primeiro contacto de Jonathan Harker com este, e debruça-se sobre todo um processo de o perseguir para o matar, não sem antes vermos algumas pessoas serem transformadas em vampiras.


 


O livro não tem um protagonista único e ocorre em volta de várias pessoas: Mina e Jonathan Harker, Dr. John Seward, Dr. Van Helsing, Arthur Godalming, Lucy e Quincey Morris. A história é-nos contada através de cartas, diários, telegramas e notícias, embora nos mostre apenas diários escritos por Mina, Jonathan e Dr. Seward.


 


Pensei que este livro fosse ser uma leitura pesada e cansativa, mas a verdade é que me agarrou, mesmo nas partes mais paradas em que tudo indicaria o contrário. Talvez a forma de contar a história tenha contribuído para isso. (Aparte: Lembrei-me logo do livro Where'd You Go, Bernadette, que conta a história através de emails, notas e documentos soltos, mas do qual não gostei nada.) No entanto, acho que também ajudou a escrita descritiva, sobretudo nos momentos mais "assustadores" — sem dar muitos spoilers, o momento em que Jonathan sai por uma janela, ou em que uma das personagens é transformada, ou em que um certo paciente é violentamente atacado são das melhores coisas neste livro. São momentos quase arrepiantes e isso surpreende-me muito num livro dos finais de 1800.


 


Outra coisa que me surpreendeu muito foi a forma como a mulher é retratada na história. Estamos, claro, a falar de um livro de 1897, pelo que certas coisas menos boas são de esperar. Ainda assim, pelo que tenho visto é um assunto que divide muitas nações e acho que depende muito da interpretação que cada pessoa faz do livro.


 


Na minha interpretação pessoal, Bram Stoker desafia em certos momentos os papéis de género e o ideal de mulher na altura: uma das personagens femininas é cobiçada por vários homens ao mesmo tempo e isto é tratado com uma naturalidade tal que nem hoje se vê semelhante em comentários do Facebook. Não o digo apenas em questões de preconceito ou julgamentos, mas até nas relações entre as personagens — não há qualquer desprezo por esta questão por parte de ninguém em relação a ninguém. Relembro que estamos a falar de um livro de 1897, por isso isto surpreendeu-me bastante.


 


Não consigo deixar de achar que este livro foi escrito, em certos momentos, com alguma sátira para desafiar certas concepções da altura: temos homens em vários momentos a chorar e a mostrar emoção (se hoje ainda é um bocadinho tabu, imagine-se na altura), por "tudo e por nada", a mostrarem-se vulneráveis — aliás, creio que até há um momento do livro em que é a mulher "a aguentar-se" e a confortar o homem, claramente a sofrer. Além disso, quando uma das personagens femininas é descartada do plano de "caça ao vampiro" por ser mulher, o que é que acontece? Tudo dá errado, eventualmente ela volta a estar envolvida e, para além disso, passa a ter um papel incrivelmente crucial para avançar na história, sendo no final tratada como igual — e o fim, literal fim, do livro celebra a sua bravura e coragem.


 


Existem, claro, aspectos que se possam apontar contra esta ideia que tenho do livro, como o retrato de mulheres como puras ou impuras, por exemplo. Não deixa de ser escrito por um homem nos finais de 1800. Mas creio que também existem vários argumentos positivos; daí achar que este livro é fortemente divisivo nesta questão e que deixa abertas interpretações neste assunto.


 


Gostei muito de como este livro é no fundo sobre amizades profundas, entre homens, entre mulheres, e entre ambos — sem qualquer pudor de serem genuínos e vulneráveis uns com os outros, dando lugar a uma sinceridade tão refrescante, mesmo nos dias de hoje. Acho que é um livro que em certos aspectos é incrivelmente moderno e vale a pena a leitura. No entanto, recomendo lerem a versão traduzida; li o inglês e por vezes foi complicado, sobretudo por ter pequenas partes que reflectem um inglês cheio de calão (tive de recorrer à app do tradutor para esta, com a câmara...).


 


4.JPG


 


Ah! E eu vou celebrar, sim, finalmente ter uma obra que NÃO sexualiza esta questão toda dos vampiros e onde não existe qualquer relação romântica com o Dracula, ao contrário dos filmes (estou tão farta desse elemento, desculpem).


 


[slideshow]https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G8e18f534/22813364_UteyY.png,https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G6018e513/22813366_jE2tg.png,https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G98182fab/22813367_qdj3U.png[/slideshow]


 

2 comentários:

  1. Poderá ser interessante alguns apontamentos sobre o Drácula, em: quartodasmaravilhas.blogs.sapo.pt


    Boas leituras! 

    ResponderEliminar
  2. Já estive a dar uma vista de olhos e é de facto interessante, obrigada pela partilha!

    ResponderEliminar