E chegamos ao último top 5 de 2020: o de livros. Nunca li tanto como este ano; devido à universidade nunca tinha tempo para ler, e quando tinha sentia-me sempre demasiado cansada para isso. Ainda por cima, passei um curso inteiro constantemente a ler - artigos, no caso. Por isso, acabava sempre por ler mais apenas nas férias de Verão. Este ano, não só com a pandemia mas também com o facto de não ser um ano de aulas e de estudo, acabei por ler muito mais, por regressar e reforçar o meu hábito de leitura e por redescobrir o meu amor por livros. É, sem dúvida, um hábito que considero muito saudável e que pretendo levar comigo para 2021, e todos os anos que se seguirem. Como já foi hábito nestes posts, começo então pela listagem de todos os livros lidos este ano:


Hoje, sem quaisquer ressalvas a fazer, passamos desde já ao top 5 do ano em leitura *drum roll*:
O Pintor Debaixo do Lava-Loiças ★★★★☆
O primeiro e único livro que li do Afonso Cruz, mas que foi suficiente para me conquistar. Adoro a escrita poética e adoro a forma como a conjuga com a história - sendo mais directa, adoro o facto de não deixar o enredo em segundo plano para dar prioridade apenas à sua forma de escrever. É isto que gosto num livro: boa escrita, mas também uma boa história, como já referi há uns posts atrás. Acho este livro especial porque, no fundo, estamos a ler a imaginação de um menino - do Afonso criança e da vida que ele imaginou para o pintor quando ouvia, dos seus avós, a história de como estes acolheram um pintor debaixo do lava-loiças nos tempos de guerra. Quero muito ler Nem Todas as Baleias Voam, embora tenha curiosidade de ler vários livros do autor. Posso prometer-vos que não vai ficar por aqui.
The Hate U Give ★★★★☆ (4 ½)
Um young adult escrito por uma autora negra e sem questões problemáticas como um white savior. Um livro que nos mostra as experiências racistas por que Starr e a sua família passam. Embora Starr seja ainda uma adolescente, é a segunda vez que ela vê um amigo (Khalil) morrer. A protagonista presencia o momento em que Khalil morre às mãos de agentes policiais que recorreram à violência sem qualquer motivo para tal (isto soa muito familiar, certo?). Como se isso não bastasse, a partir de então, presencia a forma como a polícia e o sistema judicial tentam distorcer a situação para fazer Khalil parecer culpado e desculpabilizar as únicas pessoas que cometeram um crime na situação: os agentes policiais. Para além disto, mostra-nos a discriminação racista de várias outras formas, e até o processo de adaptação da Starr, que se vê dividida em duas pessoas diferentes: a Starr de Williamson, a escola que frequenta e que é maioritariamente frequentada por pessoas brancas; e a Starr do bairro onde habita. Este livro é um soco no estômago e uma montanha russa de emoções. Por vezes, tive de parar de ler para respirar ou tentar não chorar. Mas eu estou apenas a ler um livro - há pessoas que estão mesmo a viver tudo o que nele está descrito. E esse é que é o problema.
1984 ★★★★☆ (4 ½)
Uma releitura de um dos meus livros preferidos de sempre, considerado um clássico da literatura. Não sei o que vos dizer sobre 1984, a não ser que é uma história absolutamente genial. Um livro sobre o abuso de poder político, hipervigilância, controlo de massas, de conhecimento e do pensamento. Não lhe consigo fazer justiça de forma nenhuma, vão pesquisar e leiam, façam esse favor a vocês mesmos.
Teoria King Kong ★★★★☆
Um manifesto punk feminista por parte de Virginie Despentes que se debruça sobretudo em três áreas: violação, prostituição e pornografia. É um livro fácil de ler mas não é um livro leve, não poderia sê-lo ao abordar os problemas de uma sociedade inerentemente machista. Deve ser lido com algum tempo para pousar e alguma cabeça para reflectir. Não concordo com tudo o que diz, mas tem diversas perspectivas interessantes, algumas sobre as quais nunca tinha pensado antes.
Born a Crime: Stories From a South African Childhood ★★★★☆
Uma autobiografia do humorista Trevor Noah e da sua infância na África do Sul. Nascido de uma relação entre uma mulher negra e um homem branco - na altura, considerado um crime - Trevor Noah teve uma vida difícil, bem como a sua família. Um livro que aborda diversos temas sociais bastante pesados, misturando-os com pequenos momentos mais leves e engraçados da sua vida, este livro é outra montanha russa de emoções. Um dos livros que mais me marcou este ano e que quero reler no futuro. Podem contar com tópicos como a pobreza, violência doméstica ou a discriminação e sentimento de não-pertença que o próprio Trevor Noah experienciou ao não ser uma pessoa branca, mas não ser igualmente considerado por ninguém como "totalmente negro".
E assim damos por aqui terminados os tops 5 de 2020. Não só para o ano há mais, como ao longo do ano irei escrever várias reviews sobre tudo o que ler/vir, por isso podem esperar opiniões muito mais fundamentadas de tudo (aqui é que tive que resumir!). Mas agora digam-me lá: quais são os livros que mais gostaram de ler este ano?
Nota: Entretanto terminei ainda o livro V de Vingança, cuja review sairá daqui a uns dias.
Adorei esta lista porque, mais uma vez, já roubei ideias
ResponderEliminarDos cinco que apresentaste só li o The Hate U Give. E adorei. E senti exatamente o mesmo que tu - fiquei tão impressionada, sabendo no entanto que nunca terei de passar por alguma experiência do género. E acho que isso, usando outra expressão que usaste, foi o maior soco no estômago - ter umas luzes sobre o previlégio que tenho apenas porque sou branca.
Também já tinha o Teoria King Kong na lista de livros por ler, mas os reviews são tão dispersos, que estava com um certo receio... Mas agora estou ainda mais decidida hehe ^^
ResponderEliminarJá eu julgava que ia ler muito mais, já que ia estar confinada e tal mas não ... a minha meta deste ano foi cumprida mesmo à justa.
Obrigada por estas sugestões, já tenho algumas na minha wishlist.
Sem dúvida que o The Hate U Give foi um dos que mais me marcou este ano.
ResponderEliminarSobre o Teoria King Kong... posso dizer que ficou aquém das expectativas em alguns aspectos. Acho que ela se podia ter debruçado mais naqueles três assuntos do que fez e sinto que perdeu um pouco o rumo nos últimos capítulos (tirando o capítulo final, que considero ter fechado bem o livro). Mas ainda assim acho que é um livro que deve ser lido por toda a gente e que pode trazer algumas reflexões importantes! Não lhe tiro o mérito de discutir assuntos que se tornam cada vez mais importantes (ainda mais considerando que foi escrito no início dos 2000s, se não me engano); só por isso acho que merece sempre ser lido! Depois disso, cada um tira as conclusões que quiser
Ora, ainda assim com o ano terrível que este 2020 foi, só por a meta ter sido cumprida já é óptimo!
ResponderEliminarFico contente que alguns livros tenham interessado
38*, peço desculpa. 😂 enganei-me. A ver se no próximo ano, atinjo os 55 livros lidos! 🤞🏼Ainda assim, 38 para quem só lia 5 ou nenhum por ano, é muito.
ResponderEliminarNunca li o livro, mas o filme para mim foi chocante, revoltante e intenso! Macabro até.
Muito obrigada e igualmente! Só coisas boas ☺️
38 continua a ser imenso, quem me dera na mesma!!
ResponderEliminarTalvez o livro também o seja, então... Não sei, porque como disse não vi o filme, mas a história deve ser, no mínimo, semelhante. No entanto, normalmente os livros são sempre melhores que os filmes por isso apoio a leitura!